| MARCUS
MOSIAH GARVEY
Um
deus! Uma Inspiração! Um destino!
“Um
só amor! Um só coração!
Vamos seguir juntos para ficarmos bem”.
Bob Marley - One Love! (tradução)
No
próximo dia 10 de junho, completa-se 65 anos da morte
do líder Marcus Mosiah Garvey, considerado um dos
pais do Pan Africanismo. O caçula de 11 irmãos
nasceu em Saint Ann Bay, Jamaica, no dia 17 de agosto de
1887. Seu drama já começa cedo, tendo que
conviver com a morte de 9 de seus irmãos, devido
às condições sócias econômicas
da família.
Apesar
de um ser considerado ótimo aluno na escola elementar
de saint Ann Bay, sua vida, tem um impulso quando seu padrinho,
Alfred Burrowes, proprietário de uma pequena gráfica,
começa a dar aulas particulares e ceder livros para
sua formação intelectual. Outra grande influência
é de seu pai, um membro da maçonaria jamaicana,
que também tem sua pequena biblioteca, freqüentada
pelo filho quase que diariamente.
A
infância de Marcus foi simples para padrões
da Jamaica. Nadava e praticava esportes com garotos de sua
idade. Mas aos 14 anos acaba se apaixonando por uma vizinha
da mesma idade e a proibição da família
dela de que mantenham os laços, através de
correspondências, o marca profundamente como o primeiro
ato de discriminação. Na mesma época,
Garvey inicia-se na vida profissional como aprendiz de gráfico.
Aos
19 anos, Marcus vai tentar a vida na grande cidade de Kingston
onde passa a trabalhar na empresa P.A. Benjamin Limitad.
Devido ao seu desempenho, no ano seguinte já é
promovido a impressor e contramestre. Mas sua consciência
critica o leva participar em 1908 de sua primeira greve.
É demitido e nenhuma outra gráfica, num acordo
informal – o contrata. Só consegue emprego
numa gráfica pertencente ao governo jamaicano.
O
militante negro começou sua carreira de jornalista
através do jornal Watchman e depois escreve para
o respeitado National Club Of Jamaica.
No
ano de 1910, Marcus tem sua primeira chance de viajar para
o exterior, indo para Costa Rica, como fiscal de plantações
de banana. No campo, percebeu as péssimas condições
de vida dos trabalhadores negros. Sua indignação
aumentou ao visitar a Guatemala, Panamá, Nicarágua,
Equador, Chile e Peru onde trabalhadores de outras etnias
eram explorados.
Cansado
de só assistir, Marcus, publica artigos nos jornais
La Nacionale – Costa Rica e La Prensa no Panamá,
mas sem obter repercussão. Ele é incompreendido
nesses países e em sua terra natal.
Dois
anos depois Marcus muda-se para Londres, junto com sua irmã,
Indiana, onde toma contato pela primeira vez, através
dos emigrantes africanos, com a Arte e Cultura de diversas
etnias da África. Também é na capital
do império inglês, que o militante conhece
noticias sobre a condição social dos afro-americanos
e o sistema de segregação vigente.
Desse
período a amizade que mais lhe influência é
a do nacionalista egípcio Duse Muhammad, autor do
The African And Orient Review – que tem na proposta,
a revisão na forma que a historia da África
é contada até então. Também
foi em Londres que tomou contato com a obra de Booker T.
Washington – um dos pensadores do Movimento Pan Africano.
Já
de volta a Jamaica, no dia 1 de agosto, Marcus funda a Universal
Negro Improvement Association – que ficou conhecida
como UNIA – com o lema – Um Deus, Uma Inspiração,
Um destino! A Organização Não Governamental
tinha como objetivos; promover a consciência negra,
lutar pelo desenvolvimento econômico da África,
e incentivar a criação de estabelecimentos
de ensino negros que ensinassem também línguas
africanas. A sede humilde da entidade foi no numero 30 da
Rua Charles, em Kingston. Depois a entidade se mudou para
a Rua king, no prédio chamado Liberty Hall.
Mas
o sucesso não foi imediato, pois seus compatriotas
negros, não acreditavam em suas idéias. Garvey
respondia que eles queriam mesmo é continuar tentando
serem reconhecidos como cidadãos brancos.
Em
1916, Marcus parte para os Estados Unidos, para se encontrar
com o seu considerado mentor, Booker Washington, que infelizmente
devido a problemas de saúde, falece antes de reencontrar
o pupilo. Mas em terras norte-americanas, Marcus passa a
divulgar suas idéias em forma de palestras, viajando
pelos Estados Unidos a convite de comunidades negras.
Na
terra dos ianques, a Ong UNIA aumenta seus filiados e subsedes,
alcançando o numero de 1.100, em mais de 40 paises.
Existiam escritórios da entidade nas Américas
Central e do Sul e África. No Harlem, bairro pobre
de Nova Iorque, ele publica pela primeira vez o jornal Negro
World, com idéias revolucionárias de nacionalismo
negro. O periódico chegou distribuir 50 mil exemplares
por edição.
Na
influencia do Negro World, surgiram outras publicações
nos Estados Unidos – The Daily Negro Times, The Blackman,
The Jamaican e The Black Man Magazine. Ele escrevia “para
cima, você raça poderosa, você pode realizar
o que quiser”.
No
dia 18 de agosto de 1920, Marcus é eleito simbolicamente
presidente provisório da África, onde ele
aproveita a cerimônia para denunciar a situação
de miserabilidade dos paises africanos e das ex-colônias
européias na América. Mas Garvey era proibido
de pisar dos paises africanos ou em colônias ingleses,
devido sua fama de revolucionário. Mesmo assim chega
a redigir e divulgar uma Declaração Universal
dos Direitos dos Negros.
Era
considerado um excelente orador, pregando o orgulho negro
e o desenvolvimento econômico da África, com
ajuda de todos afro-descendentes espalhados pelo mundo.
Um conceito correspondente ao nacionalismo dos judeus que
depois conseguiram fundar Israel, ocupando a Palestina.
Garvey dizia “ Somos descendentes de um povo sofrido.
Somos os descendentes de um povo decidido a não mais
sofrer. Etiópia “é a terra de nossos
pais”. Uma idéia defendida por rastafaris.
Os
seguidores de Marcus eram denominados garveistas, que defendia
inclusive o questionamento da Bíblia Sagrada, alegando
que há uma deturpação das escrituras
sagradas do aramaico, quando descreve, Adão, Abrão
e Jesus, como brancos. Até uma versão negra
da bíblia foi editada – Holy Piby.
Nos
Estados Unidos, Garvey funda a Line Black Star – uma
companhia de navios a vapor, que tinha uma linha entre Estados
Unidos e Jamaica – destinada só para passageiros
negros. O negocio se revelou rentável, movimentando
em seu auge milhões de dólares e despertando
inveja dos concorrentes. Mas em 1922 acabou falindo, num
caso mal explicado de suposta fraude do correio e levando
o líder para cadeia dois anos depois.
Durante
o julgamento ele dispensou ajuda do advogado, se encarregando
sozinho de sua defesa judicial. Mas foi condenado em 1925,
com a pena reduzida, pelo presidente Calvin Cooligde, em
troca de sua deportação para a Jamaica. Esse
evento acaba abalando sua reputação, e da
UNIA, mas permanece em militância até sua morte
em 1940, em Londres, de pneumonia, após dois derrames.
Seu corpo é embalsamado e enterrado no cemitério
Kendal Green.
Somente
em 1964 teve sue trabalho reconhecido na Jamaica, nomeado
herói nacional, e seu corpo transladado e colocado
no National Heroes Park. Desde 1980 é figura reconhecidamente
na sala de heróis da Organização dos
Estados Americanos. Hoje existem nos Estados Unidos e na
Jamaica, prédios, faculdades e até ruas com
seu nome.
Prevendo
o destino da luta negra após sua morte, Garvey disse
“eu sou só o precursor de uma África
acordada que deve nunca voltar dormir”.
Marco
Antonio dos Santos, 35, militante negro, membro do Conselho
Estadual de Desenvolvimento e Participação
da Comunidade Negra de São Paulo.
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