<%@LANGUAGE="JAVASCRIPT" CODEPAGE="1252"%> CETRAB – Centro de Tradições Afro-Brasileiras

 


IV Seminário Nacional Religiões Afro-Brasileiras e Saúde

O IV Seminário Nacional Religiões Afro-Brasileiras e Saúde realizado pela Rede Nacional de religiões Afro-Brasileiras e Saúde em parceria com o Projeto ATÓ-IRE/Centro de Cultura Negra do Maranhão aconteceu nos dias 28, 29 e 30 de abril de 2005, em Belém – PA. Contando com o apoio do PCRI-Saúde/DFID, da Fundação Ford e do Ministério da Saúde, o seminário reuniu mais de 80 mães e pais de santo de várias regiões do país, além de gestores e profissionais das áreas da saúde e da educação para discutir sobre as questões de saúde dos terreiros.

No dia 28 de abril aconteceu o Presente nas Águas, uma homenagem as deusas das águas: Oxum, Dandalunda, Yemanjá e Mãe d`Agua, momento em que mães e pais de santo saudaram as deusas com cânticos e orações, além de oferecer balaios com flores e presentes que foram depositados no rio Guamar.

O painel Saúde e religiões de matrizes africanas no Brasil: a arte de cuidar foi marcado pelas exposições dos sacerdotes e sacerdotisas da tradição religiosa afro-brasileira que contaram suas experiências relacionadas as práticas terapêuticas desenvolvidas nos terreiros que permitem o acolhimento e o reforço do equilíbrio das pessoas, assim como influenciar políticas públicas de saúde.

No painel As experiêncais de saúde nos terreiros em parceria com o SUS foram apresentadas três experiências de governo(SP, Piracicaba e Recife), pontuando os desafios a superar para a implantação e implementação de um trabalho efetivo em parceria com os terreiros.

As políticas públicas de saúde para a população negra e para as comunidades de terreiros: perspectivas e desafios foi o tema do painel no terceiro dia do seminário e contou com exposições provocativas para o público presente quando uma das expositoras mostrou a diferença de perfis entre os pais e mães de santos. Enquanto a maioria dos sacerdotes são homens brancos de classe média com alto grau de escolaridade, as sacerdotisas em sua maioria são mulheres negras, de baixa renda e baixa escolaridade permitindo visualizar que um dos desafios das políticas públicas de saúde é o desenvolvimento de ações e programas que superem as desigualdades de gênero e raça.

Durante as oficinas realizadas surgiram várias propostas para encaminhamentos, entre elas podemos citar: o respeito as práticas terapêuticas dos terreiros pelos gestores e profissionais de saúde, a inclusão de pessoas de terreiros no PACS, fortalecimento e apoio a Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde, o desenvolvimento de uma campanha nacional sobre saúde nos terreiros utilizando os códigos e signos da tradição religiosa afro-brasileira, a participação dos sacerdotes e sacerdotisas nos cursos e seminários sobre fitoterapia do Ministério da Saúde, organização política e jurídica dos terreiros, participação de lideranças dos terreiros nos Conselhos de Saúde, capacitação de adeptos/as dos terreiros sobre controle social para que possam atuar como interlocutor junto as serviços de saúde, livre entrada de mães pais de santo nos hospitais, cemitérios e sistema prisional, utilização dos espaços dos terreiros para campanhas governamentais de educação e saúde, inclusão da visão de mundo dos terreiros na capacitação dos profissionais dos pólos de educação permanente, etc.

O seminário contou também com uma programação cultural que fez o povo dançar e cantar ao som dos atabaques da Banda Afro do Centro de Cultura Negra do Maranhão e do Afoxé Ita Lemi Sinavaru dos afro-religiosos de Belém.

Informações sobre o evento e as fotos podem ser obtidas no site
www.redereligioesafrosaude.org