Itesp
consegue na Justiça permanência de
famílias no Quilombo de Caçandoca
A
Fundação Instituto de Terras (Itesp), órgão
da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania, conseguiu
garantir a permanência das famílias do Quilombo
de Caçandoca nas terras onde vivem. Nesta quinta-feira,
2 de junho, o relator da 4ª Câmara de Direito Público
do Tribunal de Justiça de São Paulo acatou a Ação
Cautelar Inominada proposta pelo Itesp – por determinação
do secretário da Justiça Hédio Silva Jr.
– que pedia a suspensão da reintegração
de posse da área ocupada pelos quilombolas.
A
Comunidade de Caçandoca fica em Ubatuba, no Litoral Norte,
e estava sob ameaça de expulsão devido a uma ação
proposta pela Urbanizadora Continental. A empresa, que atua
no ramo imobiliário, havia solicitado a reintegração
de posse e obteve decisão favorável do juiz da
1ª Vara da Comarca de Ubatuba, Antonio Mansur Filho.
A
Ação Cautelar, protocolada pelo Itesp em 31 de
maio, pedia a suspensão de “qualquer ato que altere
ou contenha risco potencial de alterar o status quo possessório
da área denominada ‘Comunidade de Quilombo de Caçandoca’”.
A decisão judicial suspende inclusive a liminar anteriormente
obtida pela Urbanizadora Continental.
A vitória na Justiça é
resultado de trabalho coletivo coordenado pelo secretário
Hédio Silva Jr., que contou com a colaboração
de Walter Piva Rodrigues, professor de Direito Processual Civil
da Universidade de São Paulo (USP), e Evane Kramer, professora
de Processo Civil na Universidade Metodista de São Paulo,
junto com os promotores do Itesp, Benedito Aristides Riciluca
Mathielo e Celso Pedroso Filho.
SITUAÇÃO DE RISCO - O quilombo
de Caçandoca vive uma das situações mais
graves no Estado no que diz respeito à posse da terra,
pois parte da comunidade ocupa uma área reivindicada
pela Urbanizadora Continental. Reconhecida como remanescente
de quilombo desde 2000 pelo Itesp, Caçandoca tem assegurado
o direito à posse da terra, conforme prevê o artigo
68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.
A titulação depende apenas de ação
discriminatória, uma medida judicial proposta pelo Estado
para estabelecer o real domínio da área, ou seja,
se é particular ou devoluta.
Diante da ameaça de despejo, o Instituto
Nacional de Colonização e Reforma Agrária
(Incra) assumiu o compromisso de desapropriar as terras. Agora,
a luta dos quilombolas é para permanecer no local até
que a desapropriação seja concluída.
O Secretário de Justiça anunciou
que irá domingo, dia 5 de junho, a Caçandoca para
comemorar com a comunidade a decisão da Justiça.
Quem
sede a vez não quer vitória
Se
preto de alma branca pra vc é exemplo de dignidade.
Não
nos ajuda porque não resgata nossa identidade
Jorge
Aragão