Intolerância reforça urgência da Marcha pela Liberdade Religiosa

Rio, 25/01/2010 - postado por: BLOG CETRAB


Hoje 21 de janeiro de 2010, dia Nacional de Combate a Intolerancia Religiosa, faltam 4 dias para II Marcha estadual pela Vida e Liberdade religiosa que será dia 25 de Janeiro em Porto Alegre, e eu... que sempre atuei em defesa das vitimas da intolerância, acabo de provar o Fél do preconceito, e a dor e humilhação são irreparáveis. .. "Baba Dida de Iyemonja"

A 2ª Marcha pela Vida e Liberdade Religiosa, que acontecerá conjuntamente à Caminhada de Abertura do Fórum Social Mundial 2010, dia 25, na próxima segunda-feira, se justifica cada vez mais pelos lamentáveis episódios de intolerância e discriminação contra as religiões de matriz africana. Na noite desta terça, dia 19, o Babalorixá Diba de Yemanjá, integrante da CEDRAB (Congregação em Defesa das Religiões Afro-Brasileiras) foi impedido, por motivo religioso, de dar uma entrevista previamente agendada na ULBRA TV  Programa BIBO NUNES, para falar sobre o DIDÁ-ARÁ - I Encontro Nacional de Tradições de Matriz Africana e Saúde, numa emissora de televisão em Porto Alegre. O apresentador do programa justificou que o canal de TV é luterano e que, portanto, não poderia contemplar outras religiões. Babá Diba lembrou-lhe que as emissoras de telecomunicaçã o utilizam concessões públicas e que, em função disso, não podem discriminar qualquer religião, muito menos num Estado laico e que tem em sua Constituição um artigo que defende a liberdade de crença e culto.
O sacerdote, que é uma das principais lideranças no país na defesa da liberdade religiosa e dos direitos dos fiéis das religiões afro-brasileiras, registrou a ocorrência na delegacia logo após o incidente.

Intolerância no Rio Grande do Sul

O histórico de discriminação religiosa no Estado é antigo. O Rio Grande do Sul acumula diversas tentativas de constrangimento à liberdade das religiões de matriz africana através da aprovação de leis em âmbito estadual e municipal. Uma delas é a “Lei do Silêncio”, que recentemente resultou no fechamento, na cidade de Rio Grande, do Ilê Africano Pai José de Aruanda Candomblé Oju Omi D’Sango, Iyemoja e Oiya do Babalorixá Marcos de Iyemanjá. O templo foi denunciado por uma única vizinha que alegou perturbação por conta do som dos tambores, o que foi definitivo para que o Promotor de Justiça do Ministério Público de Rio Grande, Dr. José Alexandre Zachia Alan, instaurasse uma ação cível, desconsiderando o caráter religioso, enquadrando- o como casa noturna, e solicitando o fechamento do terreiro, entre outras penalidades.
As tradições milenares dos povos de origem africana, que deveriam ser resgatadas, preservadas e elevadas à condição de patrimônio histórico-cultural brasileiro, no Estado gaúcho, lamentavelmente, são tratadas como perturbação à ordem pública.


Marcha pela Liberdade Religiosa

A 2ª Marcha Estadual pela Vida e Liberdade Religiosa será realizada no dia 25 de janeiro e integrará a Caminhada de Abertura do Fórum Social Mundial. Religiosos e simpatizantes de diversas tradições de matriz africana bem como de outras religiões farão parte da caminhada. A concentração será no Largo Glênio Peres, em frente ao Mercado Público, às 16h, seguirá pela Avenida Borges de Medeiros até o Largo Zumbi dos Palmares, onde haverá um ato público. Em seguida, a Marcha vai se encaminhar à Usina do Gasômetro, onde os religiosos farão a entrega de um presente às divindades das águas no Rio Guaíba.
A Marcha faz alusão ao dia 21 de janeiro – Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, em que vivenciadores e simpatizantes de religiões de matriz africana de todo o Brasil saem às ruas para denunciar o racismo e a discriminação sofrida pelos religiosos, para defender o direito constitucional à liberdade religiosa e para dar visibilidade aos saberes e tradições dos espaços sagrados e ancestrais da cultura afro-brasileira.


Postado por Bábà Diba de Iyemonjà no Bábà Diba de Iyemonjà em 1/21/2010 12:06:00 AM

 

Conversa com Abdias

Rio, 03/01/2010 - postado por: BLOG CETRAB
Uma entrevista semanal sobre temas relevantes para o Terceiro Setor


"Falta ao movimento negro ser mais contundente"

"No caso do Brasil, por mais que o governo se esforce na sua retórica discursiva, nossa avaliação é que esse relacionamento não tem sido sincero. As palavras, os pronunciamentos, as expressões de intenção, os gestos esvaziados, não são suficientes para construir esse relacionamento. O governo pode até utilizar-se de textos, informações e dados produzidos por nós, mas isto não basta, pois o que falta são ações concretas. As políticas públicas reivindicadas por nossa população estão na mesa, mas não saem do papel".
Foi no dia 11 de maio de 2001 que Abdias do Nascimento fez este pronunciamento, na 2ª Plenária Nacional de Entidades Negras Rumo à 3ª Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e as Formas Correlatas de Intolerância, no Rio de Janeiro (RJ). De lá para cá, ele afirma, as reivindicações não foram atendidas e continuam atuais.
São reivindicações que atravessaram todo o último século e permearam as sete décadas de atuação de Abdias, hoje com 91 anos. Ao longo dessa jornada, ele se expressou das formas mais diversas: em poesias, quadros, teses e propostas constitucionais.
Economista por formação, Abdias do Nascimento atuou no movimento negro nos âmbitos político, acadêmico e artístico. Iniciou sua militância na Frente Negra Brasileira, na década de 30. Durante o Estado Novo, foi preso em 1937 e em 1941, pela militância contra o regime ditatorial e o racismo. Na segunda ocasião, criou, dentro da Penitenciária de Carandiru, o Teatro do Sentenciado, organizando um grupo de presos que escrevia, dirigia e interpretava peças dramáticas. A partir desta experiência – e com o objetivo de acabar com atitudes racistas que presenciou no teatro, como quando um ator branco pintou-se para interpretar um negro – decidiu fundar o Teatro Experimental Negro.
Em 1968, Abdias vai para os Estados Unidos, graças a uma bolsa de estudos da Fairfield Foundation, e passa a atuar nos debates internacionais sobre o racismo. Foi neste momento que abriu a discussão sobre o pan-africanismo (veja o box ao lado), retomando sua crítica à idéia de que a América Latina vivia uma democracia racial, feita em 1966, durante o 1º Festival Mundial das Artes e das Culturas Negras, em Dacar, no Senegal.
Ao retornar ao país, em 1978, Abdias do Nascimento participa da criação do Movimento Negro Unificado (MNU), do Partido Democrático Trabalhista (PDT). Pelo mesmo partido, foi eleito deputado federal e senador. Ainda fundaria o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (Ipeafro), sempre guiado pela vontade de chamar atenção para a questão racial. “O povo negro tem direitos históricos, e o Brasil tem que pagar”.

 

 

 

 

 

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