Centro de Tradições Afro Brasileiras
ORÍ / CABEÇA
Sede das Energias Vitais da Natureza e do Destino
Na visão de Mundo do Povo Yorubá
Professor Marcelo dos Santos Monteiro, Presidente Fundador do CETRAB – Centro de Tradições Afro-Brasileiras – entidade nacional de assistência social, cultural, educacional e religiosa, sem fins lucrativos; Diretor de Estudos e Pesquisas do Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos; Pesquisador CNPQ ....
O culto à cabeça, desde o princípio da vida, seus significados e seus valores são fundamentais no desempenho da vida saudável, em todos os seus aspectos. Todos os problemas da vida podem ser resolvidos se forem dados os devidos valores e importância ao culto a Orí / Cabeça. A cabeça é a parte essencial do corpo humano, e toda força que uma pessoa tem está concentrada nela.
O destino do ser humano é predestinado por Òlódùmárè e as nuanças deste destino podem ser devidamente acompanhadas, através de consulta à Orúnmìlà. Importante papel do Sacerdote de Ifá, desempenhado pelo Sacerdote de Orixá, no tratamento do Ser Humano.
Ao atravessar a fronteira entre o espaço espiritual e o físico esquecemos o nosso destino. Se tivemos o livre arbítrio de escolher nosso destino, será que existe alguém que tenha desejado sofrer na vida? É de suma importância que nós tenhamos o conhecimento de nossa cabeça para a conquista da satisfação pessoal e da vida longa.
Os seres humanos, através de sua cabeça, mantêm uma plena e constante ligação e inter-relação com os ancestrais e com os antepassados. Conhecer o ser humano é ter um diagnóstico do destino, das interdições, da força vital e do orixá. Ter ainda o conhecimento da Sorte e do Infortúnio da vida, nos principais níveis graduais de: vida longa, riqueza, família, filhos, vitória, morte, doença, luta, carência financeira e derrota. Isto tudo, desde os primeiros dias de vida, quer seja no nascimento, enquanto recém nascido ou no renascimento da vida, quando da iniciação no culto de Orixá.
Um ritual de vital importância na vida, que precisa ser resgatado e levado à consideração, não só de todos os afro-descendentes, como também de todos os seguidores das Tradições Culturais de Matriz Africana. É por ocasião deste ritual, e/ou de outros rituais que levam a execução deste, que podemos salvar muitas vidas.
Em se tratando do princípio da vida, não muito diferente do que ocorre na iniciação no culto ao Orixá, é realizado o Ìkómonjáàde - ritual de imposição do nome. Quando ocorre o nascimento da criança, ela e a mãe permanecem confinadas em um quarto até o ritual do nome. Se menino no nono dia; se menina, sétimo; e se gêmeos o nome é dado no oitavo dia. Previamente no terceiro dia de vida o Babalawo é chamado para realizar o Àkosèjayè, um ritual divinatório que tem por finalidade conhecer, através de Ifá, a trajetória espiritual e o destino do recém-nascido. A partir daí são prescritas as interdições que a criança deverá obedecer para facilitar seu desenvolvimento material e espiritual. Caso haja a interveniência de malefícios que possa prejudicá-lo na vida, de imediato são realizados rituais para afastá-los.
Durante o ritual do nome, a criança é segurada pela mulher mais velha da família. O nome poderá ser determinado por circunstâncias que estejam ligadas ao seu nascimento, sendo: àmútoruwá (nome trazido ao nascer), indicando circunstâncias da gestação e parto ou circunstâncias familiares; Oruko-àbíso é o nome dado à criança após um estudo sobre sua família-profissional, ancestralidade orixá cultuado e etc. O importante é que esses nomes mostrem a linhagem da pessoa, tornando conhecida a sua origem. No momento da imposição do nome é recitado o oriki – orílè, fazendo alusão à linhagem da criança, e uma série de elementos são utilizados, tais como: epo pupa / azeite de dendê; oiyn / mel; obi / noz de cola; orogbo; eja / peixe; ataare / pimenta da costa; omi / água; ireke / cana de açúcar; iyo / sal; dentre outros, respeitando as suas interdições, buscando trazer a vida do recém nascido as propriedades vitais dos elementos utilizados, cantados em versos.
Quase que de forma idêntica no renascimento da vida, ou melhor, na iniciação ao culto de orixá, tais rituais se tornam imprescindíveis para um pleno desempenho da vida saudável.
Considerando que Orí / Cabeça é a sede.
Professor e Olóyè Marcelo Monteiro Odearaofa, Presidente Fundador do CETRAB – Centro de Tradições Afro-Brasileiras – entidade beneficente de assistência sócio cultural, sem fins lucrativos e Sacerdote Supremo do Àse Ìdásilè Ode.